Andava eu pelo centro comercial, acompanhado pela minha mulher, quando vejo uma moça com um brutal vestidinho justo e curto. Claro, não fui capaz de tirar os olhos de cima, mesmo estando acompanhado. Só deixei de olhar, quando o ângulo me obrigaria a rodar demasiado a cabeça (ainda agora fiz 40). Eu sei também, porque vi bem, que ela me viu e percebeu com que olhos eu a olhava. Mas isso já não é problema nem vergonha para mim. Deixei-me dessas coisas. Está ali à mostra, com certeza que é para olhar. É umas das características dos 40. Já não nos importamos muito e arriscamos um pouquinho mais.
O problema foi quando num segundo encontro, totalmente casual, a minha mulher, desta vez mais atenta, a vê também e a cumprimenta com bastante confiança. Eram colegas da escola. Fiquei um bocado atrapalhado. Desta vez já não olhei nada, acho que até virei a cara. A barraca estava montada.
Bem. Adiante. Para evitar maiores constrangimentos contei à minha mulher o que se tinha passado. Aquela coisa de ficar irresistivelmente com o olhar preso. Fui sincero. Porque a conheço, sei que não levaria a mal. Expliquei que não tinha culpa, que não era capaz de evitar olhar. Que a moça estava mesmo a provocar. Acertei. Não se importou e até achou piada. Nestas situações, a verdade e a sinceridade são sempre a melhor solução. Para todas as partes.