quinta-feira, setembro 01, 2011

Fantasia de Carnaval



Havana, Cuba. Noite quente e húmida. Carnaval na cidade (pelos vistos, em Cuba, o Carnaval é quando um homem quer). Uma multidão de cubanos a participar no desfile e outra ainda maior a assistir. Poucos turistas no meio de toda aquela confusão.

E no meio dessa confusão reparo numa mulatinha a olhar-me de uma forma descaradamente sedutora. Tudo isto com a minha mulher ao lado, felizmente, distraída por uma conversa com um grupo de cubanos que animava o meu grupo. Eu, como sempre, perdido na multidão, nas cores, nos sons, nos ritmos, no calor húmido.
A moça insiste e eu fico com vontade de lhe “dar trela”, apenas para ver até onde aquilo pode chegar. Como quem joga um jogo arriscado.

Ela manda-me beijos pelo ar e eu respondo com sorrisos envergonhados, mas de cada vez que olho, estamos mais perto. Tão perto que já estamos encostados lado a lado e falamos. Fala ela. Faz perguntas e responde com propostas indecentes. Eu respondo sempre “não é que não queira, mas não posso passar daqui.” Ela pergunta-me onde vou estar mais logo, amanhã, depois,… Eu desconverso com perguntas banais. Ela vai dando beliscos pelo meu corpo e provocando. Difícil resistir, difícil disfarçar… Ela tem um paninho daqueles que quase todos os locais usam para secar a humidade que corre pelo corpo e passa-o pela cara, pelo pescoço, pelo peito e eu quase agarro o pano para me secar a mim também. Tento distrair-me com desfile de carnaval e quase consigo. Nalguns momentos consigo mesmo, mas ela volta a aproximar-se. Perdi a noção do tempo. Não sei quanto tempo durou este jogo. 10, 15, 20 minutos.

Ela era do grupo de cubanos que estavam a conversar com o meu grupo de 6 pessoas. Ninguém se tinha apercebido e no fim ainda fomos apresentados. Que adiantava? Eu já sabia o nome dela e conhecia as suas intenções. Lisandra e finalmente trocámos uns beijos. Inocentes na atitude mas não na intenção. Inocentes beijos na cara.

Agora a história a frio. É claro que ela não se apaixonou por mim naquele instante. Eu sabia e ela sabia-o melhor ainda. O dinheiro do turista vale muito mais do que o dinheiro deles e infelizmente aquela gente aprende, desde cedo, a sacá-lo. E nós, homens, somos alvos fáceis. Eu apenas estava mais à mão, no meu isolamento. E mais, afinal nem todos tinham passado sem se aperceberem. Um dos meus primos (o único homem da minha idade) também deu conta, (vá-se lá saber porquê). De resto passámos despercebidos, mas eu contei tudo a todos. Se calhar fiz mal.

No entanto, para mim, guardo o momento e a fantasia.

quarta-feira, agosto 31, 2011

Cuba, Mi Amor



Tirando Varadero, de magníficas praias e hotéis, Cuba é um País de encantos e sentimentos contraditórios. A cidade de Havana, que conheci melhor, contradiz-se na degradação e destruição do seu património urbano e na alegria do seu povo, apesar de preso a um sistema político imposto e reposto.

Como no Brasil, voltei fascinado com a natureza exuberante, o verde acima de todas as outras cores vivas do campo e da cidade, com o calor, com a humidade, com as chuvadas repentinas e com o sol que se lhe segue, com a música presente em todas as esquinas, com os ritmos daquela gente, mistura de tudo e de todo o lado, com a facilidade com que se faz do Rum uma bebida refrescante e no fim de tudo, ou mesmo antes de tudo, com a sua sensualidade.

As pessoas são de uma simpatia contagiante e quando nos falam fazem como se nos conhecessem há anos, com uma intimidade que chega a ser arrepiante e irresistível. São pessoas simples, cheias de ritmo no corpo. Corpos de pouca roupa, habituados ao calor húmido que escorre em nós e que nos empurra para desejos que até parecem naturais. Dia e noite. O desejo que escorre em nós. Usamos panos para secar o desejo, mas ele volta cada vez mais forte, e os olhos dizem aquilo que queremos esconder. Terrível. Enfim… Por isso tudo esta frase que mais me ficou no ouvido: Mi Amor.

Cuba ficou no meu top 5. :)

Voltarei mais tarde com pormenores intensos, se for capaz de os descrever.

sexta-feira, agosto 12, 2011

Férias

Estou a gastar os últimos cartuchos deste último dia de trabalho. Amanhã vou de viagem. Duas semanas para recuperar o resto do ano. Acho que não me vão faltar motivos para isso. :))
Fiquem bem, ou então vão também. :)

terça-feira, agosto 02, 2011

Saravá!




Um fim-de-semana tórrido, uma Feira de uma vila do interior e eu, plantado num expositor institucional, sem grande coisa para fazer senão marcar presença e olhar para quem passa.

Aproveitei então para ir apreciando uma das mais perfeitas e belas obras de arte da natureza. Nada mais tem o poder de me deixar naquele estado, meio zen, com os meus pensamentos afastados de tudo e de todos, do que a beleza de uma mulher. E foi quando vi esta moça da foto que atingi o nirvana contemplativo dessa noite. Mesmo assim fui capaz de ter o discernimento (ou não), de tentar, completamente absorto dos riscos que poderia correr, agarrar a aura do momento. Mas a coisa correu bem, e com a maior descrição, dignidade e anonimato, consegui captar aquilo que via e sentia.

Algumas mulheres, pelo que são, pela forma como se adornam e pela maneira como mostram aquilo que de mais bonito e mágico têm, merecem todo o meu respeito e homenagem. Às vezes esqueço-me, mas este blogue é quase todo dedicado a elas.

Como dizia o grande poeta Vinícius, Saravá!

“Saravá, assim como axé, selam conversas e têm conotação positiva.
Saravá também pode significar "salve" ou "viva", por influência africana no idioma português do Brasil. É usada nesse sentido específico pelo poeta e compositor brasileiro Vinícius de Moraes.”
Fonte: Wikipédia.

quarta-feira, julho 20, 2011

Nós homens temos umas ideias um bocado parvas, mas ainda assim somos felizes

Mas, valerá a pena mudar?

Em tempos, não tão antigos, que este blogue nem sequer existisse, cheguei a pensar que o facto de uma mulher usar ou não cuecas fio-dental lhe revelava uma parte interessante da sua personalidade. Nua e crua.

Um dia, conheci uma mulher que as usava e o mito ruiu. Com estrondo!

Mas como sou homem, voltei a desenvolver mais uma teoria idêntica à anterior, embora ache que desta vez acerto em cheio. Esta nova teoria, que se tem desenvolvido neste meu rebuscado cérebro, está relacionado com as tatuagens. Uma tatuagem por si só já revela algo da personalidade de uma mulher, agora, o desenho e o local da dita, ainda dizem mais.

Por isso, agora, procuro tatuagens em corpos de mulheres e tento interpretá-las, desvendar o que está por trás dela. Talvez um dia tenha a oportunidade de demonstrar na prática a mim mesmo esta minha teoria.:)

terça-feira, julho 19, 2011

Pequenos azares

Fui de fim-de-semana para a praia mas, com a nortada que varre este País, de Caminha a Sagres, acho que teria visto mais coisas bonitas e frescas, no centro comercial cá da terra, a 200 km do mar, do que de facto vi naqueles extensos areais.

sexta-feira, julho 15, 2011

Essas meninas

As meninas de hoje têm tanta pressa de ser crescidas, que acabam por nos deixar, a nós, homens feitos, confusos e às vezes até, envergonhados com as coisas que nos passam pela cabeça. E temos que aguentar impávidos e serenos como se nada fosse. Enfim, sinais dos tempos…

Ou talvez não. Vinícius de Moraes e Toquinho já falavam disso numa música cujo registo mais antigo que encontrei foi de 1971, chamada “Essa Menina”. Problema antigo afinal. :))





Você não tem mesmo o que fazer, essa menina
Como é que você já fica toda feminina
Como é que você olha pra mim
Com essa falta de respeito
Olhe que isso assim não está direito, essa menina

Como é que você novinha assim toda se empina
Como é que você quando me vê
Sai requebrando desse jeito
Tudo nesta vida tem a sua hora, viu?
Pois você me diga agora onde é que já se viu
Querer ser colhida assim tão fora de estação?
Olhe, essa menina, suma, vá-se embora, tenha compaixão

Eu já nem sei mais o que fazer com essa menina
Sem desmerecer sua beleza tão divina
Bem, ela vai ver, então vai ser
Tal como manda a natureza, viu?

terça-feira, julho 12, 2011

segunda-feira, julho 11, 2011

Coisas simples do dia-a-dia

Na sexta-feira passada, numa reunião fora de trabalho, (assunto sobre o qual ainda não quero falar) eu e a minha mulher fomos surpreendidos pela entrevistadora com uma frase no mínimo arriscada para a posição dela.

Talvez com uma hora de entrevista decorrida, eu já nem estava nervoso e falava pelos cotovelos. Depois de uma qualquer frase minha, ela olha para mim, meio surpreendida, fica um segundo ou dois sem resposta e com ar confiante diz qualquer coisa como isto: Gosto de si, ou gosto do seu marido, é engraçado.(eu fiquei igualmente surpreso e por isso nem fixei bem)

Modéstia à parte, eu até já tinha percebido isso, não só porque a entrevista, que estava para durar 1 hora acabou por durar quase 2, mas também porque eu, em alguma pessoas, já consigo ver para além dos olhos. E posso dizer que também gostei dela e também lhe achei piada. Fiz sempre questão de lhe falar abertamente, com muita sinceridade e olhos nos olhos. Apesar de um assunto delicado, estava bem disposto e com um discurso descontraído.

Mas que bem fez ao meu ego aquele elogio tão espontâneo. Puxa! Estava mesmo a precisar! :)

terça-feira, julho 05, 2011

Vamos então dar a volta a isto

Este era um blogue positivo e eu tinha orgulho nisso. Era um blogue que festejava as coisas boas da vida. Música, cinema, livros, relações entre pessoas, mulheres bonitas, paixões possíveis e principalmente as impossíveis. Sonhos bons, enfim... Tudo o que não é agora, por isso, bora lá mudar isto, ok?

Dúvidas existênciais

Serei assim tão desinteressante? Sei que não sou uma pessoa cativante, pelo menos numa análise superficial, mas será que perco assim tanto p...