quinta-feira, março 04, 2010

Tailândia (com bolinha avermelhada)


Bem, então começo pelo fim, ou quase. É mais fácil. Quando se diz a alguém que se vai para a Tailândia, toda a gente ou quase toda (e se forem homens são mesmo todos), mandam bocas sobre as massagens. Pessoas que já lá tinham estado chegaram mesmo a dizer para não perdermos a oportunidade. Sabíamos que quando chegássemos seria a pergunta fatal, “e então as massagens?” Mas a Tailândia é muito mais que isso. Muito mais.

Mas mesmo assim é por aí que vou começar. Estávamos já no penúltimo dia e ainda não tínhamos tido tempo para a massagem. E nem sequer estávamos muito preocupados com isso. Tínhamos um mundo de coisas novas para ver e as massagens não nos pareciam prioritárias. No entanto sabíamos que queríamos experimentar, por isso acabámos por decidir fazê-la já depois do “chek-out” do Hotel e antes do “transfer” para o aeroporto, naquelas horas parvas em que já não podemos ir muito longe e o tempo custa a passar. Boa ideia.

Estávamos, por acaso, instalados numa parte de Bangkok onde as casas de massagens eram porta sim, porta não, mas a minha mulher preferiu fazê-la no Hotel. Achou que era mais seguro. Seguro de quê, perguntava eu. Que pode uma massagem ter de perigoso? Uma distensão muscular??!!

Fomos então. Cada um em sua salinha, média luz, uma cama encastrada num dos lados, um sofá e uma banheira no outro. Entrei sozinho e esperei. Só não queria que me calhasse um homem. Não tive tanto azar assim, de qualquer forma, a senhora que me apareceu já não era nova, muito menos para os critérios tailandeses, mas eu confiei na sua experiência como uma mais-valia.

A massagem tailandesa, pelo menos a que eu fiz (e a minha mulher também), são bastante envolventes. A proximidade física que existe entre a massagista e o massajado, pode tornar-se um pouco desconcertante para quem não está muito à habituado a este tipo de coisas. Era o meu caso.

Adiante. De barriga para baixo, em cuecas, com uma toalha de mãos a cobrir o corpo, lá fui sentido a massagem, dos pés à cabeça, feita com mãos, braços, cotovelos e não sei que mais. Sei que volta e meia lá estava ela deitada em cima de mim. Estávamos tão perto que respirávamos o mesmo ar. Dos pés à cabeça, sempre passando pelo rabo. Deve fazer parte… Fazia mesmo, confirmei mais tarde. Mas digo-vos uma coisa. Senti todos os músculos do corpo. Um por um. Onde começavam e onde acabavam. Incrível. No fim parecia que tinha corrido a maratona. Mas foi quando me mandou voltar para cima que a coisa começou a animar.

Não é todos os dias que estou numa cama com uma mulher que não a minha, nem que estou tão entrelaçado com alguma, como estava naquela altura.

As pernas dela e os pés serviam de instrumento de massagem e as minhas pernas faziam os mais incríveis malabarismos. Foi então no meio daquela envolvência que, de repente, me toca no meu ponto fraco e com um gesto sugestivo me pergunta: oil massage?

Eu fiquei tão espantado que não disse nada. Abri muito os olhos e fingi que não estava a perceber. Mas ela não desistiu. Repetiu o convite e informou-me logo do preço. 3000 bats. Espantado, apanhado de surpresa, disse que não. Ela gestualmente disse-me que podia brincar com o peito dela. Continuei a dizer que não. Expliquei-lhe que a minha mulher estava na sala ao lado e que mesmo que quisesse que estava mesmo de partida, que já não tinha dinheiro. Baixou o preço para mil e eu continuei a dizer que não. Tudo isto muito devagar, na maior das descontracções e com provocações pontuais. Volta e meia apanhava-me desprevenido, e perguntava outra vez: oil massage? A certa altura, sem saber como nem porquê, dei por mim com um pé mesmo no meio das pernas dela, se é que percebem o que quero dizer. Eu já nem sabia se a massagem me estava a relaxar ou a deixar mais nervoso. Enfim…

Mas não vos vou esconder, sou homem, vacilei. Muito. Dentro da minha cabecinha os génios, o bom e o mau, digladiaram argumentos contra e a favor, chegando quase a vias de facto. Nunca mais vou esquecer. A cara da moça aparece-me na memória a toda a hora, a fazer a pergunta fatal: oil massage? Mas podem acreditar, foi não até ao fim.

“No Hotel é mais seguro…”

Oil massage?
Oil massage?
Oil massage?
Oil massage?


E já agora, acham que devia ter contado à minha mulher estes pormenores? : )

4 comentários:

  1. Acho que devias contar... acho que te vais surpreender com a reacção.

    Entendo que não contes à tua mulher algumas coisas, mas lembra-te que a honestidade é importante.

    Quando comecei a namorar com o meu marido fazia-lhe todo género de perguntas idiotas e ainda hoje faço. Gosto de saber o que ele pensa, como se sente, se é feliz...

    Beijinhos*

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  2. rss, Isso parece um conto desconectado da Ivich. No fim achei engraçado demais!! E se deves contar a esposa... bom, aii eh contigo!! :p Oil massage??

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  3. Hahahaha, concordo com a Fernanda!!
    Mas hein, agora entendo pq no começo do post vc diz que todos os homens logo recomendam, vai ver é pq no final elas sempre perguntam a eles: Oil massage??

    Ah, sabes se tua mulher foi massageada por outra, ou tbm deu a 'sorte' de ser o sexo oposto! Sugiro uma conversa ao casal, mas se queres contar, bem, isso já é contigo mesmo! :)
    Beijo

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  4. Se na minha do Hamman passei pra lá de bagdad e me valeu a presença de espírito e estar mesmo num sítio muito público (confesso que trepei paredes naquele dia) e olha que ninguém se sentou em cima de mim nem me fez metade do que tu contaste que ela fez, TU ENTÃO tiveste, como dizia o outro: prova superada!! Ouve, é mesmo muito medinho de doenças e muito cagunfe de gente maluca pra dizer que não a "oil massage" com tanta convicção!
    Essas coisas pra se contar à mulher, só há duas maneiras:
    - ou logo depois de ter saído da massagem, com ar entre o indignado e o: e se fossemos ali os dois pra uma oil massage a dois?
    - ou um dia que estejas em família e te contem algo parecido e aí entras e contas a tua história, à tua maneira, e vais estar a dizer ali em frente a todos a dizer que não. E os outros machos da alcateia toda vão dizer: és um fraquinho!
    E a tua mulher vai pensar: lecas, que este gajo gosta mesmo de mim! Resistiu!

    Não contes com o sentido de humor pós (muito tarde) acontecimento. Ou é alguém com bastante sentido de humor, ou tás mas é a arranjar lenha pra dois ou 3 dias de martelanço de mona.

    E isto sou eu, que não sou casada e percebo tanto da poda como de plantar coquinhos! ;))

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A minha laranja

Imaginemos que eu sou como uma laranja, constituído por gomos muito juntinhos dentro de uma casca. Cada um dos gomos representa um estado...