quinta-feira, outubro 25, 2012

Eu fui!

Keane, ao vivo no Campo Pequeno. (20/10/2012)

quinta-feira, outubro 18, 2012

"A graça e a meiguice do sexo"

“Carlos Maria sorriu e olhou para as borlas caídas do cordão de seda que ela trazia à cintura, atado por um laço frouxo; ou para ver as borlas ou, para notar a gentileza do corpo. Viu bem, ainda mais uma vez, que a prima era uma bela criatura. A plástica levou-lhe os olhos, o respeito os desviou; mas não foi só a amizade que o fez demorar ainda ali e o trouxe novamente àquela casa. Carlos Maria amava a conversação das mulheres, tanto quanto, em geral, aborrecia a dos homens. Achava os homens declamadores, grosseiros, cansativos, pesados, frívolos, chulos, triviais. As mulheres, ao contrário, não eram grosseiras, nem declamadoras nem pesadas. A vaidade nelas ficava bem, e alguns defeitos não lhes iam mal; tinham, ao demais, a graça e a meiguice do sexo. “Das mais insignificantes”, pensava ele, “há sempre alguma coisa a extrair”. Quando as achava insípidas ou estúpidas, tinha para si que eram homens mal-acabados.”

Quincas Borba – Machado de Assis

Eu quase poderia ter escrito isto. 

terça-feira, outubro 09, 2012

Alô, Alô, Brasil

Alimentando sonhos

(Que bom que é poder "espetar" nas paredes tudo aquilo que me apetece!!)


Oi, coração
Não dá pra falar muito não
Espera passar o avião
Assim que o inverno passar
Eu acho que vou te buscar
Aqui tá fazendo calor
Deu pane no ventilador
Já tem fliperama em Macau
Tomei a costeira em Belém do Pará
Puseram uma usina no mar
Talvez fique ruim pra pescar
Meu amor
No Tocantins
O chefe dos parintintins
Vidrou na minha calça Lee

Eu vi uns patins pra você
Eu vi um Brasil na tevê
Capaz de cair um toró
Estou me sentindo tão só
Oh, tenha dó de mim
Pintou uma chance legal
Um lance lá na capital
Nem tem que ter ginasial
Meu amor
No Tabariz
O som é que nem os Bee Gees
Dancei com uma dona infeliz
Que tem um tufão nos quadris
Tem um japonês trás de mim
Eu vou dar um pulo em Manaus
Aqui tá quarenta e dois graus
O sol nunca mais vai se pôr
Eu tenho saudades da nossa canção
Saudades de roça e sertão
Bom mesmo é ter um caminhão
Meu amor
Baby, bye bye
Abraços na mãe e no pai
Eu acho que vou desligar
As fichas já vão terminar
Eu vou me mandar de trenó
Pra Rua do Sol, Maceió
Peguei uma doença em Ilhéus
Mas já tô quase bom
Em março vou pro Ceará
Com a benção do meu orixá
Eu acho bauxita por lá

Meu amor
Bye bye, Brasil
A última ficha caiu
Eu penso em vocês night and day
Explica que tá tudo okay
Eu só ando dentro da lei
Eu quero voltar, podes crer
Eu vi um Brasil na tevê
Peguei uma doença em Belém
Agora já tá tudo bem
Mas a ligação tá no fim
Tem um japonês trás de mim
Aquela aquarela mudou
Na estrada peguei uma cor
Capaz de cair um toró
Estou me sentindo um jiló
Eu tenho tesão é no mar
Assim que o inverno passar
Bateu uma saudade de ti
Tô a fim de encarar um siri
Com a benção de Nosso Senhor
O sol nunca mais vai se pôr

Bye, Bye, Brasil

Chico Buarque



quinta-feira, outubro 04, 2012

E o meu futuro?

Comecei por me inscrever no mestrado, apenas para fazer companhia à minha mulher que se inscreveu também num. Já tinha feito uma pós-graduação e tinha noção que as 3 cadeiras que tinha para fazer e que me dariam equivalência ao mestrado, não iriam acrescentar muito conhecimento ao que tinha garantido anteriormente com a pós-graduação, mas fi-las sem grande problema. O problema estava (e está) no trabalho final. Demorei a escolher o tema, divorciei-me e atravessei um ano de seca, o que na minha actividade profissional tem influência em termos de desgaste e tempo livre, e o trabalho ficou-se pela escolha do tema e pela aceitação por parte da escola. Um ano de propinas voou!

Entretanto, há uma angústia que me consome – fazer ou não fazer o trabalho, concluir ou não o mestrado. Por isso, e porque já me ligaram da escola a perguntar se eu não ia acabar o trabalho (estão a precisar de dinheiro), preciso tomar uma decisão. Mais uma vez, escrever ajuda. A vossa opinião, se for de acordo com a minha também vai ajudar. :)

Em termos profissionais, e tanto quanto perspectivo para o meu futuro, ter um mestrado concluído, adianta tanto como ter uma pós-graduação, isto é, nada. Em termos pessoais representa quase 1000 euros de propinas no bolso (um bilhete de avião de ida e volta para o Brasil) e muito tempo livre para fazer aquilo que realmente gosto e sem stresses. A quinta, os livros, a música, viajar, passar tempo com a família e amigos, enfim… viver! 

Também tem aspectos negativos. Não gosto de deixar coisas por fazer. Causa-me alguma frustração. Por isso estou a tentar olhar para a balança, tentar perceber se a vida é longa ou curta, para tomar uma decisão definitiva. É essa a minha urgência.

A minha laranja

Imaginemos que eu sou como uma laranja, constituído por gomos muito juntinhos dentro de uma casca. Cada um dos gomos representa um estado...